segunda-feira, 12 de abril de 2010

Pentecostalismo: A roupa invisível do rei




Eu estava conversando com uma pessoa, frequentadora de uma igreja avivada (aquelas que fazem bastante barulho, onde pessoas dançam pelos corredores, vêem bolas de fogo, etc) que se queixava de não sentir a presença de Deus no meio daquela gritaria. Ela se sentia mal por isso, pois as pessoas começaram a olhar torto para ela; e, por isso, muitas vezes ela imitava as pessoas, pulando e gritando, apenas para não parecer diferente ou “menos crente”.
Sim sim, eu vejo essa roupa! Que belos bordados!
É impossível não comparar esse relato com o conto infantil do vestido invisível do rei, em que o rei toma para si um traje que supostamente era visto apenas pelos inteligentes. Na verdade o traje era uma fraude, mas as pessoas ao redor do rei – e o próprio rei – fingiam enxergá-lo apenas para não parecerem burras. Se você não conhece esse conto.
Dentro das igrejas avivadas, virou regra – por quê não dizer imposição – você gritar e falar enrolado. Essa regra se tornou tão pesada que, quem não a segue, é visto como pecador. Se você não fala enrolado palavras que nem você entende, você é menos que quem o faz. Se você não tem visões mirabolantes de carruagens em chamas, você é menor que quem o faz e assim sucessivamente.
Assim como os súditos do rei fingiam ver sua suposta roupa mágica, vista apenas pelos inteligentes, muitos frequentadores das igrejas de hoje começam a pular e falar enrolado apenas para não parecerem menos que os outros. Se a pessoa do seu lado pula dizendo que está sentindo o “poder de Deus”, você pula junto, para dizer que também o sente. Se algum pseudo-profeta diz que tem um varão de branco te entregando um rolo, você praticamente sente o rolo na mão, para não parecer frio ou menos avivado.
Esse padrão se tornou tão absurdo em algumas igrejas, que existe um “avivômetro”; quanto mais você pula, dança e grita, mais santarrão você parece ser. Mesmo que você, ao chegar em casa, bata na mulher…
O rei está nu!
Porém convém a todos nós lembrarmos que esse avivamento, sob um olhar bíblico, é um dom pessoal (I Co 12:7). Paulo diz em Coríntios, cap 12, que uma pessoa pode falar em línguas (não é falar enrolado simplesmente), outras podem ter visões e outras podem não fazer nada disso; simplesmente ensinam melhor, ou são melhores médicos (!!!). E não é por isso que um é pior ou melhor que o outro. Cada um é útil da sua maneira.
Portanto, não é necessário continuar imitando o seu próximo. Você não é pior por não sentir vontade de falar enrolado ou pular. E você que pula e grita porque gosta, não condene quem não o faz; as vezes a pessoa que você está condenando desobstrui artérias coronárias como você jamais faria! Sejamos coerentes, paremos de tornar o avivamento uma obsessão. Até aqui ele não melhorou a igreja e não vai mudar a vida de ninguém se não for usado da maneira que Deus quiser. Muitos evangélicos que não são avivados têm tido maiores experiências com Deus simplesmente por estudarem mais a Bíblia. Pense nisso.
Teólogo infiel que condena o avivamento!
Também não estou generalizando. Não são todas as pessoas que pulam e gritam apenas para imitar o seu próximo ou para parecerem mais crentes. Mas, sinceramente, são a grande maioria.

Papo de Teólogo

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